Quem tem medo da mamografia? Tire suas dúvidas sobre o exame

May 16, 2018

 

 

No mínimo, incomodada. É como muita mulher se sente ao fazer uma mamografia. O exame, considerado crucial para o diagnóstico de câncer de mama, é cercado de muitos mitos, entre os quais, de que a radiação pode causar sérios problemas à saúde da mulher. Para esclarecer a população feminina, o 5 de fevereiro foi instituído recentemente como Dia Nacional da Mamografia. O objetivo é ajudar na conscientização das mulheres sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama.

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Já chega a representar uma das principais causas de morte entre mulheres no Brasil, tendo atingido mais de 57 mil brasileiras em 2017, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).  Para combater o problema, o diagnóstico precoce da neoplasia é uma importante arma capaz de contribuir para a redução da mortalidade.

Gilberto Amorim, oncologista clínico e coordenador de cirurgia mamária do Grupo Oncologia D’Or, explica que a mamografia pode aumentar as chances de cura da doença, chegando a 90%. “Quando a neoplasia é identificada precocemente, é possível fazer com que o tratamento de tumores com 1cm de diâmetro, por exemplo, diminua métodos mutiladores, como a mastectomia”, explica o especialista. Ainda segundo Dr. Amorim, o rápido diagnóstico também contribui para a redução do impacto econômico e social. “Quanto mais cedo a doença for descoberta, menor será o tempo de afastamento do paciente da sua vida social e profissional”,

afirma.

Para isso, no entanto, é preciso vencer primeiramente o medo do exame. Para o mastologista

 

Carlos Vinícius Leite, professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase) os profissionais de saúde também precisam estar bem informados para ajudar as pacientes. Ele coordena o projeto “Capacitação das equipes da Estratégia Saúde da Família – um caminho para implementar a prevenção secundária do câncer de mama”, numa iniciativa do Serviço de Mastologia do Hospital de Ensino Alcides Carneiro, em parceria com a FMP/Fase e a Prefeitura de Petrópolis.

Em 2017, foram capacitados cerca de 200 médicos e enfermeiros, além de 350 agentes comunitários do Programa de Saúde da Família. A ideia é que o projeto seja levado para outras cidades. “O objetivo é melhorar o acesso à informação e o rastreamento dos casos, para garantir que o tratamento seja realizado, orientando a comunidade e promovendo a saúde, para que cresça o público alvo das mamografias”, diz o médico, que é professor da FMP/Fase.

Com os avanços da tecnologia, o exame também se aprimorou nos últimos anos, propiciando à paciente mais uma nova alternativa para a prévia detecção da doença: a tomossíntese. É o que afirma a coordenadora do Centro de Mama Quinta D’Or, Ellyete Canella, especialista em Radiologia Mamária. “Na tomossíntese, a imagem da mama é adquirida em bloco e depois são recriadas imagens com um milímetro de espessura, permitindo detectar pequenas lesões escondidas na glândula, inclusive em seu estágio inicial (menores que 10 milímetros), e não palpáveis, impossíveis de serem identificados no autoexame”, diz. o mastologista Carlos Vinícius Leite (foto) esclarece as quatro principais dúvidas em torno da mamografia.

 

1 – Quem deve fazer a mamografia?

– A recomendação do Ministério da Saúde é que as mulheres entre 50 e 69 anos façam o exame, no mínimo, a cada dois anos. Mas as de outras faixas, de 40 a 49, por exemplo, e com mais de 70, a Sociedade Brasileira de Mastologia orienta que também devem fazer e com periodicidade anual, procurando um mastologista para uma orientação adequada ou os profissionais da unidade de saúde mais próxima.

2 – O exame dói?

– A mamografia é um raio-x e pode incomodar por conta do aperto necessário da mama, em busca de uma imagem de qualidade pelo radiologista. A mama é comprimida para reduzir a espessura no exame e evitar qualquer movimento, além de minimizar a radiação necessária. Uma forma de minimizar o incômodo é evitar realizar o exame no período que antecede a menstruação.

3 – Por que ele é importante?

– O exame possibilita a detecção de tumores pequenos, antes mesmo de eles se tornarem palpáveis, aumentando as chances de cura da doença, evitando cirurgias mais radicais e tratamentos mais agressivos. Infelizmente, na nossa realidade, o câncer de mama é diagnosticado nos estágios avançados, o que faz crescer a mortalidade pela doença.

4 – A radiação pode provocar tumores em médio e longo prazo?

– Não, o nível de radiação é baixo no exame.  O importante é evitar o medo e o diagnóstico tardio. Algumas mulheres adiam ou ignoram qualquer problema relacionado à mama: não fazem o autoexame, evitam a mamografia e, às vezes, fazem e não vão buscar o resultado. O trabalho dos agentes de saúde e dos profissionais médicos e enfermeiros é conscientizar e orientar essas mulheres.

5 – Todo nódulo identificado pela mamografia é maligno?

– Não, e é preciso ficar atento às diferenças clínicas e radiológicas. Clinicamente, o nódulo benigno tem margem circunscrita, é uni ou bilateral, móvel, muitas vezes doloroso e com consistência fibroelástica ou elástica. Já o maligno tem margens indistintas, é geralmente unilateral e fixo, quase sempre indolor e com consistência pétrea. O laudo mamográfico emitido pelo radiologista vai classificar o exame segundo os critérios do Sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System). Essa padronização dos laudos propiciará aos profissionais um entendimento fácil dos achados da mamografia, orientando conduta e periodicidade de realização do exame, além de permitir a diferenciação das lesões malignas e benignas.

 

 

Especialistas da Rede D’Or São Luiz e Oncologia D’Or esclarecem os principais mitos e verdades que envolvem a técnica

Fonte:  Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase) e Rede D´Or, com Redação

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